
Veja a seguir a entrevista, na íntegra, que o empresário Roberto Justus deu, com exclusividade, à revista Seu Sucesso.
Quando você começou sua carreira, há mais de 20 anos, você havia planejado como trabalhar sua imagem para figurar como o bom profissional que é hoje?
Ninguém, quando está começando, imagina onde pode chegar. Você não sabe o que vai te acontecer. Existem os mais determinados e os menos determinados. Eu era muito determinado. Eu dizia que não ia passar por esta vida sem deixar uma marca de alguma forma. Mas você não sabe o que vai te acontecer. Eu usava as pessoas de sucesso como referencial. Olhava para o que fizeram as pessoas da minha área, como atuaram, como fizeram, para tentar aprender alguma coisa.
O que você acha que as pessoas reparam na sua conduta para considerá-lo um empresário bem-sucedido?
Há uma somatória de coisas. Em primeiro lugar, a grande aferição de sucesso profissional, para uma empresa, é o lucro, o resultado, a posição no mercado e algumas outras coisas. No campo pessoal, as pessoas o consideram bem-sucedido pela sua felicidade. Você só consegue fazer bem feito aquilo que você tem paixão por fazer. Eu adoro minha profissão. Isso é uma forma de acabar divulgando o seu trabalho.
Existem traços na sua personalidade que atraia a admiração das pessoas?
Algumas coisas podem atrair mais. Quando você tem uma personalidade forte, opiniões fortes, se tem uma posição de destaque por algum motivo, você acaba ganhando visibilidade, e a visibilidade ajuda a reforçar os traços da sua personalidade. Eu sou uma pessoa de hábitos muito simples, apesar de ter uma “embalagem” mais sofisticada; costumo tratar as pessoas de igual para igual. Prego muito isso na minha empresa, cultivar essa relação com as pessoas. Às vezes a embalagem não condiz muito com a realidade. Os meios de comunicação te transformam um pouco em mito.
Quando você é apresentado a alguém no ambiente profissional, faz alguma coisa para causar uma primeira boa impressão?
A primeira boa impressão ou existe ou não existe. Não adianta querer exagerar nas atitudes para ser notado de forma positiva. É como uma mulher que se perfuma demais, que usa muita maquiagem e que se insinua demais: ela acaba sendo vulgar. Se ela for mais natural, menos ousada, talvez consiga algo mais duradouro. Eu construo relações de longo prazo. Não é no primeiro impacto que vou conseguir convencer alguém de que tem que trabalhar com minha empresa ou acreditar em mim. Isso vai ser durante uma conversa. O primeiro impacto pode ser muito tênue e nem sempre diz se uma relação vai ter sucesso ou não. Mas é claro que as pessoas devem estar bem apresentadas e bem preparadas para o que vão fazer.
O que você espera encontrar numa pessoa que pretenda trabalhar com você?
Depende de quem é a pessoa. Se é uma pessoa que vem trabalhar para mim, eu quero que ela tenha tantas preocupações quanto as que eu tive quando eu fui tentar fazer algum negócio com alguém: não tente se vender demais, falar mais que o necessário; a pessoa tem que ser equilibrada, tranqüila, mas tem que mostrar energia, não adianta ser uma mosca morta na minha frente e eu tenha que ficar tirando as coisas da pessoa. Eu sei que é difícil, são muitas coisas. Ninguém tem tudo, nem nas relações profissionais nem nas pessoais, e é preciso aprender a conviver com isso. Quando eu era mais jovem, eu achava que as pessoas tinham que ser o que eu achava que elas deveriam ser. Mas quando eu travava contato com a realidade e via que as pessoas não eram ideais, eu me decepcionava. Mas hoje vejo que todo mundo, tanto quanto eu, tem defeitos e problemas. Mas é claro que temos que ser pessoas com mais virtudes do que defeitos; eu só contrato uma pessoa se for assim.
O que mais chama sua atenção numa pessoa com quem você tem um relacionamento profissional?
É o preparo, a cultura geral, a informação. Hoje em dia, no nosso País, as pessoas deixam isso um pouco de lado. Você tem muitos bons especialistas em algumas áreas, mas poucas pessoas com visão macro. Eu prefiro me relacionar com pessoas com visão abrangente, principalmente se for alguém que vai trabalhar para mim.
O que um profissional deve fazer para manter uma conduta exemplar no ambiente de trabalho?
A primeira coisa é se apaixonar pelo que faz. Se você está feliz, você acaba fazendo bem o que deve fazer. Tem que ter muita determinação para buscar os objetivos e colocar esses objetivos o mais longe possível. Quando você já estiver numa situação confortável, não pode se perder, tem que ter humildade, não pode deixar subir na cabeça, não ache que você não tem mais nada que aprender. E é preciso ter muita ética na condução dos negócios.
Por: Rafaela Costa

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